Gente que esclarece, Gestação, Parto e Amamentação

Você sabe o que é um parto humanizado?

Muita gente confunde o termo parto humanizado, algumas pessoas acreditam que seja sinônimo somente de parto domiciliar, por exemplo, por isso, convidamos a Doula Fernanda Leite para esclarecer pra gente:

A definição de Parto Humanizado é bem simples. Primeira coisa – é a mulher protagonista do parto, consciente e bem informada do desenvolvimento do parto e suas consequências e intercorrências possíveis. Ou seja, uma mulher que é consciente do seu corpo, de suas escolhas, empoderada. Mas a humanização do parto começa antes dele, com a disseminação de informações de qualidade, com a gente começando a ver o parto como um evento da sexualidade da mulher, da família, e não como um evento médico. Nesse sentido, quem faz o parto não é nenhum médico, e sim a mulher, porque o parto acontece é com ela, no corpo dela.

Agora, como isso acontece sem que haja um atendimento humanizado? Uma coisa é a mulher, e outra, igualmente importante é o atendimento, a assistência. O médico, e a equipe, na humanização do parto são ASSISTÊNCIA à mulher, o que significa para essa mulher, empoderamento de um processo que lhe pertence e para a equipe significa um atendimento que seja apoiado na Medicina Baseada em Evidências. Então, o viés é duplo, um da mulher se empoderar do seu corpo e dos processos que acontecem com ele, e outro é da assistência, sair do foco principal, dominar a ansiedade e o medo de estarem diante de um acontecimento grandioso e íntimo, como é o parto, e se colocarem à serviço, sabendo que o acontecimento do parto é o acontecimento de toda uma vida, para a mãe, para o bebê e para a família. E do quanto isso é positivo pra criança e mãe.

Ao nascer o bebê faz, imediatamente, o que chamamos de Imprinting do mundo, ou seja, ele faz uma espécie de fotografia instantânea de como o mundo o está recebendo e, a partir disso ele irá fazer uma referência sobre como ele irá se relacionar com o mundo e as coisas que o cerca. Imagine que este bebê nasce, vem direto para o colo de sua mãe, não há colírios queimando seus olhos, ele olha para sua mãe, sente seu cheiro, o calor de sua pele, sente a comoção que causa sua presença. Sente calmamente o oxigênio se instalar em seu pulmão e percorrer seu corpo, ao mesmo tempo em que seu suporte sanguíneo é respeitado, e somente depois dessa suave adaptação é que o cordão umbilical é cortado. Todos os principais testes de vitalidade do bebê ao nascer podem ser feitos nestas condições. Ele sente necessidade de sugar e nesse contexto sua pega é provavelmente perfeita, pois ele não foi anestesiado durante o parto, essa mãe teve acesso à métodos não farmacológicos para o alívio da dor. Assim, esta mãe está inteira com o seu filho, não está anestesiada também, está plena de ocitocina natural, endógena, que inunda seu corpo e o do bebê, comunicando a ele um mundo cheio de amor, porque a ocitocina é o hormônio do amor, como cita o dr. Michel Odent no filme O Renascimento do Parto.

O resultado dessa orquestração é o estabelecimento de um vínculo sadio e seguro, de uma amamentação plena, com maiores chances de não haver nenhuma intercorrência, um bebê consideravelmente mais calmo, tranquilo, um casal mais integrado, pois o companheiro participou de tudo, viu a força de sua mulher, acompanhou o atendimento, está seguro de que o melhor foi feito por sua mulher e pela equipe, e ele se sente parte de tudo que aconteceu. Ele saberá valorizar o acontecimento que viveu, pois a vivência de um parto transforma quem dele participa, e isso se estende à equipe, por isso a necessidade de uma equipe que consiga se integrar à essência transformadora de um parto. Nesse sentido, e o filme vem mostrar isso também, o atendimento ao parto nas clínicas (pré-natal) e hospitais, ainda tem um longo caminho a percorrer, e eu acredito que o empoderamento das mulheres, ao exigir que sejam bem tratadas, e tratadas de acordo com a Medicina Baseada em Evidências vem sendo o grande motor dessa revolução, onde “para mudar o mundo é preciso primeiro mudar a forma de nascer”, como bem disse o dr. Michel Odent.

Aqui, fiz uma descrição de um Parto Natural, possível dentro do contexto da humanização. No entanto, mesmo quando o parto passa pelo imponderável, aquilo que não podemos prever ou planejar, quando a mãe está esclarecida, consciente e informada, e a equipe atende de forma satisfatória, as intervenções são recebidas pela mãe e pelo bebê de forma mais integrativa. O parto é misterioso e transcendente e a tecnologia, sendo usada para salvar vidas, deixando de ser o centro do processo para deixar a família no lugar que lhe é devido e de direito. Isso é humanização.

Gostaram? Ainda têm alguma dúvida? A Fernanda deixou alguns links de textos e blogs pra gente:

Parto Humanizado é um direito de todas as mulheres

Parto do Princípio
Doulas Campo Grande
A mãe que sou
Bibliografia da Doula
Sobre o Autor:

Do site:



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