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Tristeza no pós-parto? Entenda mais sobre o baby blues

E aí nos tornamos mães, estamos finalmente com nosso maior tesouro nos braços, temos tudo para sentir a maior felicidade desse mundo. De repente surge uma tristeza, uma melancolia e uma culpa enorme pelo aparecimento de todos esses sentimentos. Calma! Você não está sozinha e nem é a única a sentir tudo isso. O que acontece na maioria dos casos é o chamado baby blues que é causado pelas alterações hormonais bruscas que a mulher sofre no pós-parto.

Pra entender melhor esses sentimentos e explicar a hora certa de buscar ajuda profissional, convidamos a Camila Soares é Psicoterapeuta e Psicodramatisa, Especialista em dinâmicas de grupos e Mestre em Psicologia Clínica pela USP para explicar um pouco mais sobre o assunto pra gente. Confira a entrevista:

– Depois do parto, muitas mulheres passam por um momento delicado, sentem-se tristes e perdidas em um momento que todo mundo diz que teria que ser só de alegria. É normal esse sentimento? 

Camila: É absolutamente normal no pós-parto a mulher se sentir triste, insegura, com medo de não dar conta da nova realidade e angustiada com isso. Afinal de contas, de um dia para o outro precisa lidar com uma série de coisas as quais não estava acostumada, privação de sono, insegurança nos primeiros dias de amamentação do bebê, ansiedade pelo ganho de peso, os primeiros testes, idas ao pediatra, cólicas, choros que ela ainda não sabe identificar. Costumo dizer que ela está reconhecendo o bebê e o bebeê a ela. Tudo isso sem falar da revolução hormonal que está acontecendo dentro dela. Lembra do primeiro trimestre da gestação? Quando uma grande parte das mulheres sente instabilidade de humor, náuseas, desconforto com o próprio corpo que já esta mudando, azia e má digestão e a grande insegurança se a gestação vai avançar ou não…pois é, depois do parto o corpo passa por uma nova revolução hormonal para se preparar para amamentação e ajudar o corpo a voltar ao seu estado normal. Enfim…com tudo isso não é muito estranho dizermos que a mulher sente-se triste e perdida…é claro que tem momentos de muita alegria. Mas, a instabilidade ainda é muito grande. 60% a 80% das mulheres sentem o que descrevemos acima, que comumente se chama debaby blues. Tal síndrome é absolutamente normal e dura em média de cinco a quinze dias após o parto, passando naturalmente à medida que a mãe e o bebê vão se conhecendo e a família vai estabelecendo sua nova rotina.

– O que você diria pra essa mãe que está lidando com todos os sentimentos comuns do pós-parto? Qual é a hora de procurar ajuda profissional? 

Camila: Em primeiro lugar eu diria para ela ter muita paciência com ela mesma e com seu bebê. Além disso é muito importante uma rede de apoio, principalmente nestes primeiros meses. Nos dias atuais vemos muitas mulheres, que pelo forte perfil de independência, ficam com dificuldade de pedir ajuda nesse momento. É importante saber lidar com a própria impotência para poder construir sua potência, afinal o papel de mãe é um novo papel e como todo novo papel será construído a partir da relação com o bebeê com seus pares. Mas é construção e como toda construção requer paciência, persistência, aceitação dos erros e comemoração dos acertos.

A hora de procurar um profissional da psicologia ou da psiquiatria é quando os sintomas descritos acima persistem após o primeiro mês e a mãe está sofrendo demais ou fazendo os que estão ao seu redor sofrer. Nesses casos possivelmente estaremos falando de uma depressão pós-parto.

A depressão pós-parto pode ser caracterizar por uma tristeza profunda, angústia, irritabilidade, instabilidade de humor, muito sono ou insônia, alteração de apetite, medos, dificuldade de fazer as atividades diárias, em alguns casos dificuldade de cuidar do bebê, desânimo. Nos casos mais graves a mãe rejeita o bebê, sente desejo de suicídio ou de matar o bebê.

Na presença de qualquer um dos sintomas acima, em menor ou maior escala, é hora de procurar um profissional. Vale salientar que, na maioria das vezes, a mãe não se dá conta do quanto está sofrendo. Nessas horas é importantíssimo que o companheiro e os familiares possam sinalizar pra ela o que está acontecendo e ajudá-la a buscar ajuda.

– Qual a importância da rede de apoio para a mulher que acabou de virar mãe?

Camila: É muito, muito importante. Como eu referi acima. Esse é um momento que tanto a mãe quanto o bebê precisam de cuidado e de ajuda. Além da importância da participação do pai, é essencial para a mae trocar com outras mães de forma a compartilhar experiência, angústias e juntas buscar soluções alternativas para os conflitos e dúvidas que vem enfrentando. Quanto mais amparada, mais a mãe terá condição de amparar o seu bebê. A psicologia explica que nesse momento de vida mãe e bebê formam uma unidade e para o bebê estar bem, a mãe precisa estar bem. Daí a importância essencial da rede de apoio.

E eu quero reforçar que essa rede de apoio é importante nos primeiros anos de vida da criança, pois vamos apenas mudando os temas da nossa insegurança: da amamentação para as primeiras papinhas e depois para a alimentação da criança; das fraldas para o desfralde; dos estímulos necessários ao bebê para os limites necessários à criança, enfim. Até agora falamos apenas do período conhecido como pós-parto que vai desde o nascimento até a primeira ovulação da mulher. Mas, os primeiros anos de vida da criança também são desafiadores e é no enfrentamento desses desafios que  vamos construindo esse papel de mae e em seguida aprendendo a conciliá-lo com todos os outros.

– Para as mães de Campo Grande, vocês possuem um grupo de psicodrama focado em maternidade. O que as mães podem esperar desse Grupo de Maternidade?

Camila: Nesse grupo, vamos através do psicodrama, proporcionar um espaço para troca de experiências, vivências de sentimentos e retomada da espontaneidade e criatividade dessas mães no desempenho de seus papeis. Além disso, juntas, vamos encontar soluções alternativas para conflitos em comuns e novos caminhos para vivenciar os diversos papeis que a vida contemporânea nos pede, sem sofrer ou fazer os outros sofrerem.

O psicodrama fala que a construção de um novo papel requer espontaneidade e criatividade. No entanto, nesse momento, a maioria das mulhrese entra em campo tenso pela insegurança do novo e acaba perdendo um pouco a sua capacidade criativa. Nesse grupo, pretendemos resgatar isso. Além disso, vamos criar uma rede de apoio para essas mulheres, de forma vivencial, cara a cara, pele a pele, peito a peito, coração a coração.

Mais informações sobre o trabalho da Camila Soares, acesse aqui o site oficial!

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  • Reply Vamos falar de tristeza no pós-parto? Entenda mais sobre o Baby Blues - Bárbara Vitoriano at

    […] Aqui tem uma entrevista completa que fiz com a Camila (minha psicóloga) sobre o assunto.  […]

  • Reply Vamos falar de tristeza no pós-parto? Principais dúvidas e relato sobre o baby blues - Bárbara Vitoriano at

    […] Aqui tem uma entrevista completa que fiz com a Camila (minha psicóloga) sobre o assunto.  […]

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