Conversa Materna, Gente que compartilha

Ser mãe e profissional é – muito mais que – punk!

Por Sheila Mendonça

Eu não fazia ideia do que estava para enfrentar quando aceitei um emprego em horário comercial após cinco anos em casa cuidando dos filhos. Claro que eu não acreditava que tudo seria a mil maravilhas, não tinha a ambição de enriquecer no primeiro mês para poder pagar uma babá, motorista, mecânico de Hot Whells, diarista, cozinheira e uma animadora dessas de festa infantil para me substituir e talvez sobrar um tempinho, mixaria de tempo, coisa de 5 minutos para respirar. Eu sabia que seria corrido, sofrido e chorado. Sabia que aquela mãe de salto agulha correndo pela rua carregando mochila, bolsa, merendeira e duas crianças pelos braços seria eu. Sabia que teria que dar “adeus” a qualquer evento social ou da vida escolar dos meus filhos que entrasse em conflito com meu horário de trabalho. Tinha uma certa noção do cansaço que ficaria. Mas, principalmente, tinha a esperança, como ainda tenho, de que apesar de tudo seria bom e daria certo.

Estava tudo esquematizado, segundo contados, cada passo dado calculado com régua de engenheiro que é mais precisa. Sou dessas loucas que planejam tudo, colocam no papel com canetas coloridas para o esquema ficar mais claro e de fácil entendimento. Porém eu não tinha noção do quanto ficaria exausta. Não! Exausta não define. Nem se quer chega perto. Me sinto abduzida, acabada, destroçada, remoída, em pedaços, partido em cubinhos milimetricamente medidos porque sou dessas, lembram?

Meu destroçamento vem por diversos motivos e nem sempre é físico. Se estou cansada de ficar em cima de um salto agulha o dia todo com metade do meu coração batendo fora de mim com eles na escolinha? Claro! Se já não aguento mais chegar em casa e ainda com a roupa de trabalho ir para a cozinha fazer o jantar, olhar dever casa e uniforme, dar banho e colocar na cama? Óbvio! Já não tenho forças para tanto. Porém o que tem me destruído e matado aos poucos é o que tenho perdido e não convivido. As palavras que aprendem, brincadeiras, notícias da escola, quando chego em casa e já estão dormindo. Parte meu coração quando, por estar esgotada os recebo com estupidez, quando na verdade, gostaria de encher de beijos e ter toda a paciência do mundo para ouvir suas histórias e dar colo infinito. E confesso, sou invadida por um ciúme desconcertante ao ouvir mais a palavra “papai” do que a “mamãe , quando tomam um tombo e preferem o colo dele ao meu, quando brigo – mesmo com razão – eles correm para o colo do pai buscando abrigo e proteção. Poxa vida! Era o meu colo! Eram meus braços o refúgio e proteção.

Eu sei, eu sei… Paternidade ativa e muito bem aplicada aqui em casa, graças ao bom Deus do diálogo aberto! Mas dói. Como uma farpa , corte de papel e unha encravada. Terei que conviver com isso, como diversas outras mães já fazem. Tudo isso é só para dizer que finalmente agora entendo. Que devemos fazer um clubinho para chorar nossas mágoas e reclamar da vida da mulher moderna. E devemos nos abraçarmos, sermos mais empáticas torcendo pelo sucesso umas das outras para quem sabe, um dia dar realmente conta de tudo, sem culpa, sem que ninguém nos culpe, nem mesmo nós mesmas.”

Sobre o Autor:

Sheila Mendonça

Sheila Mendonça é Relações Públicas e empreendedora. Inquieta, curiosa e amante por literatura, sempre viu nas crônicas de Mario Prata uma inspiração para transformar o cotidiano em textos bonitos e interessantes, que trouxessem leveza à vida com um toque de humor. Pensando nisso, criou o “Uai, mãe!?“, para dividir a rotina com os três filhos, contando suas dúvidas e receios, compartilhando com outras mamães sua experiência de forma leve e descontraída. Do site: Uai, mãe?



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