Gente que esclarece, Gestação, Parto e Amamentação

Prematuridade: do pré-natal ao nascimento

O número de prematuros nascidos no Brasil corresponde a 12,4% do total de partos. É o que apontam os dados do Ministério da Saúde, no qual mostra que esse valor equivale ao dobro dos países europeus.  E com a chegada do mês de novembro o debate sobre a prevenção da prematuridade sempre vem à tona. Mas será que é possível se precaver? Segundo a Dra. Luciana Cima, ginecologista e obstetra da Perinatal, a prematuridade não tem uma causa única. “A prevenção é possível, mas a abordagem adotada deve ser avaliada caso a caso”, pontua.

 A prematuridade acontece quando o bebê nasce antes das 37 semanas de gestação, e para não correr esse risco é essencial que a mulher faça seu pré-natal corretamente. “A partir de 20 semanas podemos solicitar uma ultrassonografia transvaginal para medida do colo uterino, o que faz parte do rastreamento de risco para parto prematuro, a partir daí tomamos medidas preventivas, caso seja necessário. O acompanhamento médico vai permitir o diagnóstico e abordagem para cada caso, em tempo hábil”, diz a obstetra. Por isso, é fundamental que a mulher faça exames e procure um profissional ainda no início da gravidez.

Mas alguns fatores acometem as mulheres mesmo com todos os cuidados. Um exemplo é a incompetência istmo-cervical, que ocorre quando o colo útero se abre e dilata precocemente, acarretando o nascimento prematuro ou até mesmo no aborto. Segundo a Dra. Luciana, uma grávida pode ter esse tipo de complicação por vários motivos. “A incompetência istmo-cervical se dá por conta de uma alteração própria no colo do útero da mulher ou até mesmo por cirurgias uterinas realizadas anteriormente. É preciso sempre conversar com o seu médico para definir o melhor a se fazer”.

De acordo com a obstetra, na maioria dos casos, é aconselhável que o bebê seja mantido na barriga da mãe. “O ideal é que nenhum bebê nasça com menos de 37 semanas, principalmente com menos de 34 semanas quando a maturação pulmonar fetal ainda não está completa”, afirma. No entanto, esse prolongamento da gestação, em quadro de risco de parto prematuro, só deve ser considerado caso não haja nenhum risco maior para mãe e o bebê.  Em quadros de infecção, passíveis de transmissão ao feto, e pré-eclampsia, por exemplo, essa prática não é recomendada.

Se com todos os cuidados é comum que algo não saia como planejado, adotar um estilo de vida desregrado durante a gravidez pode trazer consequências gravíssimas para saúde do bebê, incluindo a prematuridade. Segundo a Dra. Luciana, se a mulher possui alguma doença, como hipertensão ou diabetes, o controle clínico deve ser redobrado. Também é preciso ficar atenta à obesidade. “Pesquisas mostram que o aumento do IMC (Índice de Massa Corporal) eleva as chances de parto prematuro, por isso é fundamental esse controle”, acrescenta a médica. O tabagismo também é um agravante, assim como estresse. “Abandonar certos hábitos e vícios é importante para que a gestante tenha uma gravidez tranquila e o bebê nasça no tempo certo e com saúde”, afirma Dra. Luciana.

Humanização no atendimento e estrutura especializada no tratamento do prematuro

Na Perinatal, localizada no Rio de Janeiro, os médicos fazem um planejamento estratégico desde os primeiros sintomas. A maternidade possui uma UTI especializada em alto risco com todo o aparato necessário para identificar rapidamente qualquer complicação que possa surgir e prestar o socorro durante emergências. Em casos de gravidez de alto risco, as mães e obstetras se preparam para fazer o parto já em unidades prontas para o rápido atendimento de emergência, evitando assim transferências que podem ser dificultadas pelo estado de saúde do paciente e aproveitando o período uterino, de menor risco.

“Quando o bebê nasce, é importante que ele tenha acesso rápido a toda estrutura necessária para salvar essa vida. Muitos lugares não possuem os equipamentos adequados para avaliar esses pacientes pelo pouco uso que teriam. Como o nosso hospital atende constantemente recém-nascidos em situações difíceis e complicações clínicas, temos todo o aparato necessário para resgatar essas crianças. Nos últimos anos adquirimos diversas tecnologias que identificam e tratam diversos problemas”, afirma Dr. José Maria Lopes, sócio diretor da Perinatal.

É o caso dos ventiladores de alta frequência, que facilitam a respiração do bebê com problemas no pulmão, do eletroencefalograma ampliado (AEEG), que diagnostica casos bem difíceis de convulsão e a incubadora Giraffe, que permite livre acesso do médico para realizar cirurgias à beira do leito. “As mães devem pesquisar se os hospitais possuem o necessário para atender esses casos”, diz.

Segundo Dr. Jofre Cabral, diretor clínico da UTI Neonatal do hospital de Laranjeiras, a diferença entre a vida e a morte pode ser a falta de equipamentos para diagnóstico. “Em hospitais que avaliam apenas o aspecto clínico e não existem aparatos necessários para analisar o metabolismo do paciente, sintomas subclínicos podem passar despercebidos. E esse intervalo entre a não detecção e a manifestação do problema fisicamente pode comprometer todas as chances de sobrevivência”.

A humanização no atendimento também é fator importante para a evolução do tratamento. Respeitar os tempos de sono e amamentação do bebê, promover o contato materno e paterno e utilizar de luz baixa no momento de descanso dos pequenos ajudam na evolução do quadro e são procedimentos aplicados nas UTIs neonatais do hospital. E foi pensando nessa aproximação que Perinatal desenvolveu, em parceria com Laboratório de Engenharia e Software da PUC-Rio (LES-PUC), o aplicativo “Amor de mãe”, que permite que a família envie mensagens de voz ao bebê prematuro na incubadora

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