Conversa Materna, Gente que compartilha

Por que as mães estão sempre atrás de resultados?

Por Sheila Mendonça

A maternidade nos apresenta um mundo novo. Um mundo de novidades, de medos e inseguranças. Vinculada a essas inseguranças está a busca incansável por resultados e quando estamos a um passo da meta, como em um passe de mágica a “chegada” parece mais distante. Parece Tom e Jerry. E nós sempre somos o Tom achando que tudo está sob nosso controle, quando nunca está. Em vários momentos do dia, nos vemos lutando e quase se forma aquela nuvem com “tum, soc, paf” e no final, sinto em dizer, apanhamos feio.

Porém, em todo esse doloroso processo eu me pergunto se ele realmente é necessário. Por que essa busca insaciável por resultados? E pior, resultados visíveis por que caso contrário, não tem valia alguma.

Lutei toda a minha gestação para fugir das rodas de conversas pautada em comparações estúpidas e inúteis.

“- Quanto você engordou?

– Vai ser normal ou cesárea?

– Você vai querer amamentar?

– Deixará na escolinha com o fim de término da licença maternidade?

– Vai largar o emprego para cuidar da criança?

– Nossa! Essa de empreendedorismo materno é bonita só nas revistas. Na prática é outra coisa.”

Quem aí já passou por algo parecido? E isso era apenas na gestação, hein? Nos parquinhos e pracinhas, mulheres cansadas da cuidar da própria vida, colocam na pauta a vida dos filhos.

“- Meu filho aprendeu a ler com 5 anos. E o seu?

– Desde os 3 meses dorme sozinho no berço.

– Mamou 3 anos e meio no peito.

– Só come legumes e frutas. Não aceita doce de jeito nenhum. Nunca comeu um chocolate…

– Lá em casa ele nem sabe o que é televisão. Passamos o dia fazendo brincadeiras estimulantes e pedagógicas.

– Está na aula de Inglês desde os 3 anos, faz natação e balé 3 vezes por semana.

– Não dá trabalho nenhum, acredita?”

E no final de tudo, nos sentimos pequenos, quase enxergadas com uma lupa. Afinal, no nosso íntimo, puxamos na memória tudo o que passamos no dia a dia. Cada aperto que passamos, todas as dificuldades que parecem, sinceramente, atingir ninguém mais.

– Seriam todas as outras mães “profissas” e você uma insignificante amadora que não sabe fazer nada? Teríamos que fazer um curso, daqueles que usam bonequinhos para trocar fraldas? Ensinam naqueles cursos como ser mãe também? Tipo curso profissionalizante?  – Pensamos.

E tenho a alegria de informar que, NÃO! Na descoberta da maternidade estamos no mesmo barco, que inclusive, é a remo para exercitar nossa força de vontade, a força nos braços, a leveza do coração e a persistência em continuar remando mesmo diante de tantos desafios, sendo o maior deles, nós mesmas e essa mania de querer o resultado público, sem priorizamos as vitórias caladas no silêncio de nossa casa.

Saiba querida mamãe, que ninguém sabe mais, não há formula perfeita e nem filho perfeito. Toda mãe já passou – se não passou, vai passar – pela birra pública, daqueles “federais” que pára tudo ao redor e chega a formar rodinha de curiosos para ver no que aquilo vai dar. Toda mãe já teve que limpar cocó nas costas do bebê ou sair com o pano atrás da criança quando está na fase do desfralde e ela faz xixi como um cachorrinho pelos cantos. Toda mãe já errou na roupa, colocando de mais ou de menos. Atire a primeira pedra, quem nunca foi vencida pela teimosia do filho e acabou dormindo todo mundo na mesma cama, mas feliz da vida por que, pelo menos, estavam todos dormindo, alguns muito bem, você porém, nem tanto.

O que interessa é que vamos superando cada dia, aprendendo com os erros, algumas vezes, esquecemos o aprendizado e lá estamos nós novamente, sentadas no chão da sala, cansada de correr o dia todo para satisfazer a expectativa alheia. O que eu sei é que, na verdade, num piscar de olhos, o tempo passou. Os filhos cresceram e passaram tanto tempo em atividades extracurriculares que não tiveram tempo de brincar e viraram mini adultos, e pior, não tiveram tempo de passar momentos leves e descontraídos conosco. E do que valeu todo o esforço na ânsia de impressionar desconhecidos nas pracinhas? Necas, né?

Brinque, divirta-se sendo mãe. E quem disse que não dá ou não pode ser divertido? E quem disse que temos que correr atrás de resultados? Crianças são inteligentes, são espertas e brincando vão evoluindo, passando as fases, aprendendo e crescendo como pessoas. No final das contas, quem mais ganha em você, que verá o tempo passando mais devagarinho e aproveitará melhor cada segundo desses momentos tão lindos que jamais voltarão.

Brinque de princesa e cavaleiros, por que depois de um tempo eles não acreditarão mais na fantasia. Corra, brinque na água, faça bolos de lama, que daqui a pouco, eles não vão mais querer se sujar para brincar. Ensine pular elástico, brincar de corre-cutia e passa-anel, por que daqui a pouco chega a adolescência eles acharão que sabem de tudo e não vão mais querer aprender essas “bobagens” com você. Enquanto puder, brinque.

Se eu fosse dar um conselho, coisa que não faria, a não ser que fosse pedido e por uma amiga muito próxima, diria: siga o seu instinto e divirta-se. Para os pitacos, faça aquela cara de paisagem, ouça o quanto quiser ouvir, descarte o que não servir e guarde no coração os conselhos bons. Ponha sua alma em tudo o que fizer, passe o que há de bom em você para os filhos, ensine o que você mesma precisa aprender. A maternidade nos torna melhores por isso, por que arranca o que há de mais forte e profundo em nosso coração. Na ânsia de ensiná-los coisas boas, levamos para a nossa vida, o que há muito faltava. Exatamente por arrancar o que temos guardado no peito, certifique-se de ter guardado só coisas boas. E segue a vida, assim mesmo, uns dias bons, outros nem tanto, mas crescendo e aprendendo. E no final das contas, seremos sim mães perfeitas. Para nossos filhos, que é quem mais importa!

Sheila Mendonça é Relações Públicas e empreendedora. Inquieta, curiosa e amante por literatura, sempre viu nas crônicas de Mario Prata uma inspiração para transformar o cotidiano em textos bonitos e interessantes, que trouxessem leveza à vida com um toque de humor. Pensando nisso, criou o “Uai, mãe!?“, para dividir a rotina com os três filhos, contando suas dúvidas e receios, compartilhando com outras mamães sua experiência de forma leve e descontraída.

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