Gente que esclarece, Infância

Pais não devem rotular – entrevista com Laura Gutman

A Mariana é sapeca. O Bernardo é tranquilo. João é bem mais arteiro que o irmão. Fernanda não é carinhosa já a Clara é muito amorosa. Crianças são diariamente rotuladas e comparadas uma com as outras.  Mas, qual o benefício disso?

Crianças são seres únicos e que ainda estão em plena formação. Se desde cedo ouvem de seus pais ou cuidadores que são desta ou daquela maneira vão levar para a vida inteira esse ‘rótulo’ como sendo verdadeiro sem conseguir construir a sua própria e verdadeira história.

A psicoterapeuta argentina Laura Gutman diz que as consequência são ainda maiores quando esse rótulos e comparações são falados por nós, as mães das crianças. Segundo ela, professores ou pessoas de fora não tem tanto poder de  interferir  na vida dos nossos pequenos. “O que eles dizem não tem tanto impacto sobre a pisque da criança. O que importa é o que dizemos em casa pois o universo dela está em casa”, diz Laura, que é mãe de três filhos.

“O discurso materno carrega todos os nossos pressupostos, crenças e opiniões. O que as outras pessoas dizem não importa tanto a menos que as mães usem para reforçar a nossa ideia do que é certo ou errado e que a criança deve fazer para ser digno de nosso amor”, comenta a psicoterapeuta que estará no sábado (1) em São Paulo dando a palestra “Biografia Humana: a ponte entre nosso presente e nossa infância”. O evento será das 10h às 15h e conta com poucas vagas.

Laura explica que as mães muitas vezes preferem rotular os filhos do que entender o que está errado e que a criança precisa de nós.

“As consequências são ruins, porque a criança vai acreditar no que a mãe diz, que é algo muito diferente do que ela sente”, comenta Laura, autora de livros famosos como “O Poder do Discurso Materno” (Summus Editoral) e “A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra” (Best Seller), os únicos traduzidos em português.

Laura explica  que o primeiro passo para criarmos nossos filhos é reconhecer  nossa infância. “Quem somos é o resultado de tudo o que aconteceu quando éramos crianças, nós nos lembrando ou não. É essencial que os adultos façam uma investigação pessoal do seu passado para ter mais clareza, liberdade para compreender tudo o que a criança precisa a partir do seu ponto de vista e não do nosso”, explica.

Segundo ela, somente conhecendo o nosso território emocional poderemos tomar decisões conscientes a respeito do que queremos fazer agora, sendo a pessoa que somos.

A psicoterapeuta explica que é importante trabalhar na construção da nossa biografia humana, ou seja, descobrir qual foi o “personagem” de nós criança até nossa vida adulta.  No livro e na palestra, Laura explica como fazer o processo de autoconhecimento para entrar em contato com experiências esquecidas no inconsciente e, com base em um novo ponto de vista, libertar-se do passado opressor e criar novas maneiras de ver o mundo.

Laura explica que o autoconhecimento e as memórias do passado nem sempre podem ser fáceis, mas que é um potencial crescimento para transformar a nossa vida. “Emergem daí seres humanos mais completos e aptos a manter relações familiares e amorosas harmônicas”, diz.

Laura afirma ainda que na maternidade não existe certo ou errado e que todas fazem o melhor que podem.

“Nunca conheci uma mãe que faz o pior que pode. Mas essa mãe só poderá compreender o filho, só poderá sentir se entrar em contato com a criança que ela foi”.

Você já parou para refletir sobre a sua infância e como ela interfere na criação dos seus filhos?

Esta entrevista  foi dada a GIOVANNA BALOGH em 30/10/14 .

Fonte: Freudiana

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