Gente que esclarece, Maternagem

No que você está pensando? A felicidade nas redes sociais

Uma das coisas de que gosto no mundo virtual, apesar de ter várias ressalvas em relação ao modo como utilizamos seus recursos, é a possibilidade de ser surpreendida por reflexões ricas, inovadoras e, por vezes, irreverentes. O vídeo “What´s on your mind?” (No que você está pensando?), criado pelo norueguês Shaun Higton, foi uma das belas surpresas que encontrei. E adivinha o que ele critica: a forma como divulgamos nossas vidas nas redes sociais para parecer felizes e, assim, conseguir várias “curtidas” no Facebook. A exigência atual de que temos que ser 100% felizes alimenta esse comportamento que é tão comum na internet, uma necessidade excessiva de postar imagens que aparentam alegria e satisfação incondicionais. Afinal, na era da felicidade, quem está a fim de saber de fracassos e dificuldades?

Como bem diz Michael Foley em seu livro “A era da loucura”: “a felicidade está na ordem do dia, e o mundo ocidental parece oferecer infinitas possibilidades de desfrutá-la: o consumo é fácil, o sexo é livre e até mesmo a beleza eterna pode ser alcançada com um pote de creme ou um bisturi.” Nos mostramos felizes e sorridentes com nossas famílias, amigos e companheiros, porém ao retornarmos para nossa rotina nos deparamos com dificuldades, com escolhas difíceis, com decepções, com tristezas, enfim, com situações que fazem parte da vida de qualquer ser humano. Sentimentos como desânimo, sensação de fracasso e de impotência podem surgir diante de tais situações, pois, de certo modo, fica a questão: como é possível não ser feliz na era da felicidade?

Em meio a generalizações e promessas ilusórias de alegria talvez seja preciso reconstruir o conceito de felicidade, lembrando que se trata de uma construção e de uma descoberta individual para além das aparências. Assim, há milhares de formas de ser feliz: de um post na rede social a um almoço em família. Cada um pode ser feliz a seu modo!

Fontes consultadas: <http://www.youtube.com/watch?v=QxVZYiJKl1Y>

Por Paula Melgaço: sócia-fundadora da Clínica Base, graduada em Psicologia pela UFMG, Especialista em Relações Internacionais, Especialista em Psicanálise com Crianças e Adolescentes pela PUC-MG e Mestranda em Psicologia na PUC-MG. Referência da Clínica Base em projetos relacionados à adolescência, à orientação profissional, e à tecnologia/mundo virtual. (www.clinicabase.com)

 

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