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Mulheres trocam pílula anticoncepcional por métodos não hormonais

Risco de trombose e efeitos adversos faz crescer a procura por contraceptivos alternativos

Os relatos são sempre semelhantes. Por diversos motivos, a adolescente logo começa o uso de uma pílula anticoncepcional. Depois de alguns anos, os efeitos surgem, as histórias assustam e a mulher, já mais informada dos efeitos colaterais dos hormônios, pesa os prós e contras e decide parar com os métodos hormonais. Em alguns casos, a decisão vem de um susto ou de uma internação grave por trombose ou AVC.

Uma das páginas de Facebook que reúne essas experiências, o “Vítimas de anticoncepcionais a favor da vida”, já conta com mais de 130 mil seguidoras preocupadas que estão pensando em desistir do método.

De acordo com o ginecologista do grupo Perinatal, Diogo Rosa, a busca por métodos não hormonais tem crescido: “Principalmente, quando são divulgados estudos que apontam aumento do risco de trombose ou surgem relatos negativos de pacientes usando pílula, esse assunto volta à discussão e acontece uma procura por outros métodos”, informa.

Os tipos de contraceptivos

O médico explica que existem três classificações de contraceptivos não hormonais: os comportamentais (como coito interrompido e tabelinha); os de barreira (como preservativos); e dispositivo intrauterino (DIU) de cobre.

A primeira é indicada para mulheres que conseguem ter sensibilidade para identificar a própria ovulação; a segunda têm uma taxa baixa de falha por impedir que o sêmen entre em contato com o óvulo feminino; e o DIU de cobre se destaca por sua grande durabilidade – de até dez anos – e por poder ser utilizado por quem tem antecedentes de trombose, além de não causar efeitos colaterais como enxaqueca ou obesidade.

“As opções mais comuns selecionadas por essas mulheres são os preservativos e o DIU. As camisinhas, tanto a feminina e quanto a masculina tendem a ser consideradas as mais seguras por também permitirem a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. No entanto, o DIU de cobre também é um método muito eficaz e barato, mas precisa ser inserido pelo ginecologista”, explica Dr. Diogo.

Cada caso é um caso

Mas pílula é realmente nociva? Segundo ele, depende. O risco de utilizar anticoncepcionais hormonais é bem pequeno em pessoas com boas condições de saúde. No entanto, ele alerta que em alguns grupos específicos, como obesidade, histórico familiar e tabagismo, as chances de ter uma intercorrência são maiores.

E, como mesmo não estando em um grupo de risco para usar a pílula, podem aparecer efeitos adversos, o ideal é consultar um médico antes de decidir o que usar. Dr. Diogo explica que há casos em que a mulher é encaminhada para fazer alguns exames que podem detectar o risco que ela teria ao utilizar determinado hormônio presente na pílula. Ele lembra, ainda, que o anticoncepcional pode ser um aliado no tratamento da endometriose, o que os outros métodos não conseguem fazer.

“Mesmo os métodos hormonais são muito variados. Têm pacientes não podem tomar estrogênio, mas se dão bem com a progesterona, têm pílulas com hormônios combinados, por exemplo. E mesmo a contracepção hormonal tem suas regras. A mulher precisa sempre seguir o horário ou o período certo de tomar, de aplicar a injeção ou colocar o adesivo. A escolha do melhor método deve ser um consenso entre indicação médica e o estilo de vida da paciente”.

CONHEÇA OS MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS NÃO HORMONAIS

 Métodos comportamentais

Quem usa os métodos comportamentais – que detectam o período de ovulação – geralmente alia todas as opções. No entanto, mesmo juntas, as técnicas têm grande taxa de falha. Dr. Diogo afirma que são opções mais eficazes para quem deseja uma vida mais natural ou mesmo programar uma gravidez em vez de evitá-la.

São eles:

  • Tabelinha: Método indicado para pacientes com ciclo menstrual bem regular. A paciente deve analisar o seu ciclo para evitar ter relações dois dias antes da ovulação, durante a ovulação e nos dois dias após. A chance de falhar é grande porque em alguns momentos a ovulação pode acontecer fora da época esperada;
  • Coito interrompido: Quando o parceiro ejacula fora da mulher. Tem alto índice de falha, pois o pré-ejaculatório também pode carregar espermatozoides;
  • Térmico (Temperatura basal):  A mulher calcula a ovulação por meio da temperatura corporal. Pouco indicado pois a alteração é mínima – apenas meio grau centrígrado. Para isso, é preciso medir sempre no mesmo horário e estar sempre nas mesmas condições (sem ter feito qualquer tipo de esforço físico). Como a temperatura pode se alterar por outros fatores, como uma doença, não é o mais confiável;
  • Muco cervical: Avalia o período ovulatório de acordo com a secreção vaginal. De acordo com a fase no ciclo menstrual, esse muco se altera em consistência e, por isso, a mulher pode prever se está ovulando ou não. A paciente precisa conhecer bastante o seu corpo para poder utilizá-lo. Mesmo assim, pode ocorrer de algum corrimento e atrapalhar essa medição. É difícil evitar apenas reconhecendo essas alterações.

Métodos de barreira

São considerados os mais seguros. Quando usados de forma correta, isto é, quando são colocados antes mesmo de qualquer contato sexual, têm eficácia parecida com a dos hormonais. Métodos de barreira são imunes aos efeitos de medicamentos, como os antibióticos, que podem reduzir a eficácia dos métodos hormonais:

  • Preservativos feminino e masculino: A versão delas ainda não é muito utilizada, mas as duas garantem, além da contracepção, a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis;
  • Diafragma – é um pouco mais complicado de usar, pois cada mulher tem um tamanho específico de colo do útero e, por isso, o médico precisa medi-lo antes da compra. Ao usá-lo, também deve-se aplicar o espermicida, que é um produto difícil de encontrar no mercado. A paciente deve coloca-lo meia hora antes da relação e retirá-lo apenas após de oito a dez horas da relação.

Dispositivo Intrauterino de Cobre (DIU)

É um método muito eficaz e barato, mas precisa ser inserido pelo ginecologista. Dura de cinco a dez anos, não usa hormônio e pode ser utilizados por quem tem antecedentes de trombose. O melhor é que não causa efeitos adversos, como enxaqueca ou obesidade. Entre as desvantagens, não protege contra DSTs, depende de ajuda profissional e pode aumentar a incidência de cólicas e fluxos menstruais, por isso não são recomendados a mulheres que sofrem de adenomiose, por intensificar o problema.

 

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Redação do IM

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