Na Finlândia, há 75 anos, o governo fornece para todas as gestantes um kit maternidade com macacões, saco de dormir, roupas de inverno, produtos de banho, fraldas e um pequeno colchão. O colchão é colocado no fundo da caixa, que se torna a primeira cama do bebê. A simplicidade do kit fala a favor da moderníssima pediatria, que defende que cuidar das crianças pequenas nunca foi tão simples.

Menos brinquedos, mais espaço

No lugar de muitos brinquedos, os estudos mais recentes mostram que os bebês até dois anos de idade precisam mesmo é de espaço livre e possibilidade de exploração. Muitas vezes a criança tem uma verdadeira brinquedoteca, mas não consegue aproveitar. Isso porque o excesso de opções, em vez de ajudá-la, pode atrapalhar seu processo de descobertas. Por isso, a dica é deixar disponíveis apenas alguns poucos brinquedos, de preferência os mais simples, e privilegiar o espaço livre onde o bebê vai construir, imaginar e experimentar.

“Os bebês não precisam de estímulos constantes. São curiosos por natureza e, para que se desenvolvam em plenitude, ações simples, como providenciar um ambiente seguro, são suficientes”, explica o pedagogo e educador Paulo Fochi. A pediatria também está enxergando pela mesma ótica, defendendo que os bebês são diferentes e podem se interessar por coisas distintas, em tempos próprios. Atualmente, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, as orientações para a primeiríssima infância baseiam-se, em sua maioria, em sinais emitidos pelos principais interessados. Assim, cada criança vai sinalizar quando quer tirar a fralda, aprender a escrever ou dar cambalhotas, sem precisar ser incentivada ou mesmo cobrada em relação às ações.

Entorno positivo

Em vez de posicionar o bebê de barriga para baixo para que engatinhe, os pais devem deixá-lo livre, no chão, da forma como ele se mostrar mais confortável, e esperar que o interesse por se locomover surja espontaneamente. Na hora de brincar, vale a mesma dinâmica. Nada de ficar agitando brinquedos com luz e som, que, ao contrário de contribuírem para o desenvolvimento, podem agitar a criança e até irritá-la. A orientação atual é para deixar o bebê ser bebê, oferecendo o chamado entorno positivo, em que o adulto e as coisas estão por perto, mas sem direcionamento à criança.

Os pequenos até dois anos podem se divertir muito com potes de plástico, panelas velhas ou bacias d’água. Esses materiais possibilitam brincadeiras mais soltas e deixam a criança descobrir o que fazer com eles, mudando o faz de conta de acordo com os desafios e vontades que se apresentam. Nessa fase (zero a dois anos), ter uma caixa que o pequenino possa escalar, por exemplo, vale mais a pena do que investir em atividade física direcionada. Na atual forma de criar filhos, menos é mais!