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Relato de parto da Mariana por Juliana Feliz

Relato de parto da Mariana por Juliana Feliz

Minha filha nasceu no dia 30 de abril de 2005, pesando 3 quilos e medindo 49 cm. O parto foi excelente e estamos muito bem. Mas para chegar aqui foi difícil. Tive um pré-natal muito bom, engordei 12 quilos, pressão ótima, nenhuma intercorrência. Tudo perfeito para o parto normal. Quando eu estava com 38 semanas de gestação, minha médica precisou viajar e deixou uma médica substituta. Foi só ela viajar que comecei a ter leves contrações e dilatação. Essas contrações duraram uma semana e já estava com 2 dedos de dilatação quando a médica substituta me examinou. Na véspera de eu completar 39 semanas, passei a noite em alerta, prestando atenção se as contrações aumentariam.

No outro dia, liguei para a médica e não a encontrei em nenhum dos telefones. Como fiquei preocupada se houve mais dilatação, procurei o hospital onde o bebê nasceria para que um médico de plantão me examinasse. O hospital é particular, um dos melhores de Campo Grande. Apenas fazendo um exame de toque e lendo minha ficha do pré-natal, o médico concluiu que: “meu útero não tinha dinâmica” e que “minha vagina era angustiada”, impossibilitando o parto normal. Depois desse veredito, ele me contou uns 3 casos de partos normais mal sucedidos e completou dizendo que o meu bebê já poderia estar em sofrimento fetal, sugerindo que eu voltasse a noite ao hospital, sem jantar, para fazer o exame do líquido amniótico. Antes de eu sair, ele ainda perguntou meu tipo sanguíneo. O médico disse com todas as letras, que “eu estava mais para cesárea” e que meu útero não teria as contrações necessárias para o normal, já que eu estava há uma semana com leves contrações.parto normal

O melhor da história vem agora… no outro dia pela manhã, consegui falar com a médica substituta e ela pediu para me examinar no hospital, para também ver a cor do liquido, etc. Isso foi às 10h da manhã. O líquido estava limpo e o bebê estava ótimo. Então decidimos por aplicar ocitocina para ajudar. Comecei com o soro as 12h30 e a dilatação e as contrações começaram a aumentar gradativamente. Pouco depois das 15h eu já estava com 5 cm de dilatação e a médica estourou a bolsa. Depois disso, as contrações começaram a ficar mais fortes e a dilatação rápida. Às 16 horas fui para a sala de parto, com quase 8 dedos de dilação e contrações fortes. Tomei anestesia para aliviar e após umas 5 contrações fortes, 16h39, a Mariana nasceu, linda e saudável. Para minha surpresa, a médica convidou o tal médico cesarista para ajudá-la a “costurar” a episiostomia. Os dois ficaram 35 minutos finalizando e o tal médico teve que engolir seco, ouvindo a enfermeira, o anestesista e a própria médica, dizendo que eu era boa parideira e que o parto havia sido ótimo, um sucesso. O cesarista nem olhou na minha cara, ficou todo o tempo em silêncio e ainda saiu pelo canto da sala pra não ter que me encarar.

Obviamente eu não contei isso para nenhum médico, mas estou contando aqui, para que outras mulheres também confiem na capacidade de dar à luz pelo parto normal e não se submeter aos caprichos de profissionais que só pensam na conta bancária e nas facilidades da hora marcada da cesárea. Depois que fui para o quarto, as enfermeiras ficavam impressionadas com a minha “coragem”, afirmando que parto normal ali era raridade.

Para as colegas que desejam ajudar o filho a nascer pelo parto normal, saibam que não existe dor, mas sim, uma força que o corpo faz para trazer a criança ao mundo e que a calma e a respiração são o segredo de um bom parto. O meu marido participou e choramos juntos quando a médica colocou a nossa filha na minha barriga. Foi uma grande emoção, um parto muito feliz. Poucas horas depois, já pude tomar banho e para quem está animada para o parto normal, a sensação é a seguinte: as contrações começam muito leves, como uma cólica menstrual que vai aumentando. O segredo é não ficar deitada, nem sentada, tem que ficar andando todo o tempo. A cada contração tem que respirar fundo, puxando e soltando o ar, com muita calma, mantendo a tranquilidade e o pensamento na criança que vai chegar. As contrações vão ficando com intervalo menor e com maior duração. A sensação de cólica não é contínua, ela vai e volta, dando tempo de respirar. Depois que a bolsa se rompe, as cólicas se intensificam e o parto fica muito próximo. No meu caso, a médica rompeu minha bolsa e uma hora depois, o bebê já estava no meu colo. Essas contrações que vem depois que a bolsa se rompe são o momento mais forte, em que precisamos manter a calma e a concentração. Elas vão e voltam… andar e respirar e nada de choro. O corpo faz tudo sozinho, a gente só dá uma forcinha. Depois que a bolsa foi rompida eu já estava com 5 dedos de dilatação e 20 minutos depois eu já estava na sala de parto sendo preparada. Quando o anestesista chegou eu já estava indo para 8 dedos de dilatação.

Dizem que quem aguenta depois de 7 dedos, aguenta até o fim, mas a anestesia cessou toda a sensação de “aperto” que sentia no baixo ventre. Após a anestesia, a sensação das contrações cessaram e foi muito bom para eu fazer a força necessária para o bebê nascer. Foram 5 vezes que segurei no ferro e puxei, com respiração trancada, como eles explicaram na hora. A gente enche o peito, prende a respiração e faz a força. Não senti nada por causa da anestesia, mas pude participar do nascimento e ajudar minha filha nascer, tendo nítida sensação na hora que ela nasceu. Não houve dor, mas essa força incrível que traz a criança ao mundo. A anestesia foi às 16 horas e as 16h40 ela já estava no meu colo. As pernas formigam um pouco, mas é possível se movimentar depois. Após o nascimento não sentimos mais nada, só a emoção de ouvir a criança chorar e amamentar a Mariana. No dia seguinte tivemos alta e fomos para casa.

Juliana Feliz, jornalista, mãe de 3 meninas, sendo duas parto normal e uma natural.

Imagem: arquivo pessoal da autora.

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1 Comment

  • Reply Nanda Almeida at

    Muito lindo esse relato.
    Eu tive uma cesárea por pressão do obstetra e, como era muito leiga acabei cedendo. Meu filho nasceu antes da “sua hora”, tanto que ele “engasgou” e quase não voltou na hora do parto e na madrugada do primeiro dia de nascido.
    Quando tiver uma segunda gravidez, gostaria muito que fosse normal, mas pretendo fazer laqueadura.
    Enfim, quando leio esses relatos fico imaginando como seria se eu tivesse meu filho por um parto normal… Sonhando!

    Gostei muito, bem interessante você relatar também sobre as dores! Parabéns, você é muito guerreira!

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