Família, Gente que esclarece

Família êh! Família ah! Família!…

Texto lindo da Luiza Pinheiro da Clínica Base! 

A famosa música dos Titãs que tem o nome de “Família” fala das similaridades entre as famílias: “papai, mamãe, titia […] almoça junto todo dia, nunca perde essa mania”. Penso se ainda podemos falar em um padrão para as relações familiares, se a estruturação e a rotina de cada família são ainda similares como há alguns anos.

A família ainda ocupa o mesmo lugar de antigamente. É ela que oferece os suportes afetivos e materiais necessários ao desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes. É em seu espaço que são absorvidos os valores éticos e morais, e onde se aprofundam os laços de solidariedade. É também em seu interior que se constroem as marcas entre as gerações e são observados os valores culturais. A família constrói a identidade social do sujeito e oferece os meios para que ele estruture seu conhecimento de mundo. Ela tem um papel decisivo na educação formal e informal e é muito importante para o desenvolvimento do caráter e da personalidade dos indivíduos. É no convívio familiar que se ouve as primeiras falas e é a partir delas que o indivíduo constrói sua autoimagem, e uma imagem do mundo exterior. Assim, a família é o local de aquisição da linguagem, é o filtro através do qual o sujeito começa a ver e a dar significado ao mundo.

No entanto, apesar de exercer a mesma função que sempre exerceu, a família é uma construção social que muda dependendo da época, da cultura e da sociedade em que se insere. Assim o padrão de organização das famílias vem mudando ao longo dos anos, e por isso hoje não se fala de família, mas de famíliaS, para tentar contemplar a diversidade de configurações e relações familiares que vemos por aí.

Diante de toda essa diversidade, é importante que a criança tenha seu lugar e se sinta incluída na família, pois é através da aceitação do grupo familiar, que o sujeito adquire a confiança de que pode estar no mundo e estar bem entre os outros. Se sentir pertencente à família faz com que o sujeito, ao longo de sua vida, se sinta seguro para conviver com outras pessoas e pertencer a outros grupos.

Assim, independentemente da configuração familiar, o papel da família é sempre primordial para a constituição dos sujeitos. Mas quem disse que tem que ser aquela família do comercial de margarina? Quem disse que uma determinada configuração familiar funciona melhor para todo mundo? Para algumas pessoas o que funciona pode ser: papai, mamãe e filhinho. Para outras, só papai ou só mamãe. E para outras pessoas, mamãe, seu marido e os filhos dele, funciona muito bem! O importante é entender como funciona a sua família. O que funciona para você?

Por Luiza Pinheiro: sócia da Clínica Base, graduada em Pedagogia pela UFMG, Especialista em Psicanálise com Crianças e Adolescentes pela PUC-MG, Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela UEMG, e Mestranda em Psicologia pela UFMG. Referência da Clínica Base em projetos relacionados à infância.

(www.clinicabase.com).

 

 

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