Conversa Materna, Gente que compartilha

Eu não quero ser como a minha mãe por Sheila Mendonça

Eu não quero surtar com a casa bagunçada e me esquecer de aproveitar a conversa descompromissada sobre desenhos animados, times de futebol ou teorias loucas sobre a liga da justiça. Não quero passar minha vida preocupada em alcançar um nível de perfeição invejável, pois é assim “desperfetinha” do jeito que sou que meus filhos me amam e me acham incrível. É buscando menos perfeição que tenho tempo para aproveitar cada frase nova aprendida, cada marco de crescimento, abraços e sorrisos gostosos. Não quero buscar incansavelmente, mesmo morrendo de cansaço o tempo todo, um padrão imposto por sabe-se-lá-quem Quero diferentemente da minha mãe não perder meu tempo, meu precioso tempo sendo alguém impossível de ser. Por que por mais que corremos e nos esforcemos, não dá para ser muitas em uma só e exercer tudo isso com perfeição. Sim, pode ser que exista alguma mulher-maravilha que consiga por aí, mas essa não sou eu. E há, mesmo na parcela de mulheres que conseguem esse feito, quem se canse de ser tão certa ou busque acertar sempre. Existe, nesta caminhada de autoconhecimento, momentos em que damos o braço a torcer e em prol de sermos mais leves, felizes e despreocupadas chutamos o balde e nos permitimos pés levantados, soneca no meio do dia, pizza no jantar, banho de chuva e bolinhos de chuva com café com leite gostoso. Momentos em que preferimos nossas imperfeições para nos darmos o direito de sermos únicas, unicamente nós mesmas!
E apesar de achar minha mãe a mulher mais incrível, linda, corajosa e admirável do mundo, não quero perder meus dias em busca da perfeição, quando eu poderia estar brincando com meus filhos, passeando ou tirando um belo cochilo da tarde agarradinha com eles, do mesmo modo que gostaria que ela fizesse comigo.
Quero ser na memória dos meus filhos o cheirinho de café recém passado e da roupa limpa recém tirada do varal. Ser o aconchego e o colo acolhedor na hora da dor, ser abrigo e refúgio. Quero ser a risada gostosa diante de qualquer bobagem que aconteça e ensiná-los a achar graça dos próprios erros, para quem sabe, no futuro, eles se preocupem ainda menos com toda essa imposição de perfeição. Quem sabe, no futuro, eles saibam que maternidade é puramente, unicamente amor. Ele nos cura, nos ensina, nos mostra o caminho, nos move. Exatamente como sempre foi, como sempre moveu todas as mães, exatamente como deveria ser…
Fim da conversa no bate-papo
Sobre o Autor:

Sheila Mendonça

Sheila Mendonça é Relações Públicas e empreendedora. Inquieta, curiosa e amante por literatura, sempre viu nas crônicas de Mario Prata uma inspiração para transformar o cotidiano em textos bonitos e interessantes, que trouxessem leveza à vida com um toque de humor. Pensando nisso, criou o “Uai, mãe!?“, para dividir a rotina com os três filhos, contando suas dúvidas e receios, compartilhando com outras mamães sua experiência de forma leve e descontraída. Do site: Uai, mãe?



No Comments

Leave a Reply