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Cama compartilhada: dúvidas, benefícios e nossa experiência pessoal

Até eu ficar grávida da Júlia, eu nunca tinha ouvido falar no termo “cama compartilhada”, claro que, ouvia algumas histórias de famílias que optavam por dividir a cama com os filhos, mas sempre com um tom negativo quanto à esta decisão.

Depois que engravidei e comecei a consumir muita informação sobre o mundo materno, foi que me deparei com o termo, com depoimentos e também com as recomendações de segurança para se compartilhar a cama ou o sono. Percebi que o tom negativo em cima das histórias que eu ouvia era muitas vezes consequência de um “preconceito” e falta de conhecimento sobre a prática.

Ao decidir contar nossa história sobre a experiência com a cama compartilhada, queria primeiro deixar claro que, assim como muitas das decisões na maternidade, fazer a cama compartilhada é uma escolha muito íntima da família, e precisa ser feita com consciência e acima de tudo ser prazerosa para que seus benefícios sejam realmente sentidos.

Porém, para que a decisão seja tranquila e consciente, é preciso ter conhecimento sobre o assunto, buscar informações  sérias, diferentes experiências e depoimentos, mas principalmente ouvir nossos corações.

Bom, desde que a Júlia nasceu, fazíamos o sono compartilhado, instintivamente. Ela dormia no berço ao lado da nossa cama e assim permaneceu até seus 2 anos de idade. Neste período, compartilhar o mesmo ambiente que ela facilitou muito a amamentação e a tranquilidade do nosso sono.

Aos 2 anos, mudamos de casa e montamos um quarto lindo pra ela, com uma mini cama, bonequinhas nas prateleiras e um espaço pra ela brincar. Acontece que, acostumada a dividir o quarto com a gente, ela ia para nossa cama mais de 10 vezes na noite e assim que pegava no sono, levávamos ela de volta para o quarto.

Conseguem imaginar o quanto isso era cansativo? Ninguém dormia! E apesar de parecer que aquele era o melhor momento para uma nova rotina, na verdade era o pior. Ela precisava primeiro se sentir segura na nova cidade e na nova casa para depois tentarmos qualquer mudança.

Mesmo com todos os palpites contrários, principalmente pela idade dela, começamos a cama compartilhada. E sem dúvida, foi a melhor decisão que poderíamos tomar. Toda a rotina da casa melhorou, todos dormimos melhor. Ela acordava descansada e bem-humorada, pronta para mais um dia de aula. Se alimentava melhor pela manhã também.

Acredito que isso é o que importa nas escolhas, buscar a melhoria da dinâmica familiar, aquilo que nos torna mais tranquilos e unidos. Se a cama compartilhada não tivesse funcionado, com certeza buscaríamos outras alternativas. Mas funcionou e funcionou tão bem que repetimos com a Isadora.

Da segunda vez nem pensamos. Como já havia a experiência, mais conhecimento segurança da nossa parte, começamos mais cedo. Nos primeiros meses ela dormia em um berço ao lado e depois passou para nossa cama. Eu me sentia segura assim, amamentava mais tranquilamente e principalmente me sentia mais descansada.

Dúvidas mais comuns

Antes de iniciarmos a cama compartilhada por aqui, havia algumas dúvidas. Será que é seguro? Até quando ela vai querer dormir conosco? Será que vai ser bom pra nossa família? E nossa relação como casal?

Esta última talvez seja esse um dos principais pontos que as pessoas tocam quando pensam em cama compartilhada. E para isso tenho duas coisas para pontuar: a primeira é que não interfere. O casal pode e deve procurar outras formas e momentos de carinho, outros lugares para se curtirem sem a cama compartilhada em nada interferir. E o outro ponto é que é uma fase.

A gente pode até pensar que eles nunca mais vão querer sair dali, mas vão. Aconteceu com a Júlia e mais cedo com a Isadora que passou a querer ir dormir perto da irmã. Na verdade, quem mais sentiu falta da cama compartilhada fui eu. Sempre curti e pra mim podia ter durado bem mais. Claro que não é regra. Volta e meia uma ou outra (ou as duas) querem dormir conosco novamente e tem a soneca da tarde que sempre que possível também é compartilhada. Além disso, o fato das duas compartilharem o sono já notamos benefícios e uma tranquilidade muito grande do que quando a gente queria colocar a Júlia para dormir sozinha.

Outra dúvida comum é sobre a segurança. E para esta dúvida, vou deixar o link de um post bem completo sobre o assunto escrito pelo Thiago Queiroz do blog Paizinho, Vírgula! chamado Orientações de Segurança para a cama compartilhada. Essas recomendações devem ser observadas sempre! Entre elas, temos algumas posições favoráveis, não dormir com a criança sob o efeito de álcool ou qualquer medicamento e outras observações que garantem a segurança física de pais e filhos.

Principais benefícios

A decisão de se compartilhar a cama pode ter um ou vários motivos, mas o bom é que os benefícios são muitos e independente do motivo, colhemos todos.

Entre os principais, e sentidos por aqui, podemos destacar:

– Melhoria na qualidade do sono de pais e crianças. E essa melhoria, impacta diretamente na melhoria do humor, apetite, enfim, o novo dia que começa, inicia com mais energia e disposição.

– Facilidade para amamentar, é quase automático amamentar compartilhando a cama, além de ser confortável para ambos.

– Facilita a rotina do sono. Dormir juntos é tão gostoso que não há aquela tensão em fazer as crianças dormirem, há um relaxamento geral.

– Compreende a criança no momento em que ela está aprendendo a dormir. Percebi que ao dormirmos todos juntos, elas perceberam que dormir era um momento gostoso, de relaxamento e de aconchego e com isso dormem mais rápido e melhor.

– Um delicioso momento de interação entre pais e filhos. Este último benefício fica por conta desta mãe que vos fala que é apaixonada por cheiro de filho e acha uma delícia dormir abraçadinho deles.

Espero que tenhamos aberto algumas discussões e que as famílias possam testar diferentes arranjos de sono até encontrarem aquele que se encaixam na rotina e na realidade de cada uma. Aproveita e conta pra gente como acontece a rotina do sono por aí?

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