Gente que esclarece, Infância

Brincar é mais importante que as atividades escolares, aponta estudos

Por Instituto Alfa e Beto, publicado em 02/10/15.

Há vinte anos, crianças em creches e pré-escolas passavam a maior parte de seu tempo brincando: construindo com blocos de montar, criando histórias com bonecos e interagindo com outras crianças em jogos coletivos. Ao longo dos anos, porém, essas atividades foram sendo deixadas de lado para dar lugar a tarefas didáticas características de níveis de ensino mais avançado. O brincar, então, ganhou caráter secundário, sendo tratado como prática de menor valor para o aprendizado.

A ideia, a princípio, parece fazer sentido: quanto mais cedo as crianças se dedicarem às tarefas escolares, melhor será seu aprendizado. O que a ciência comprova, porém, é exatamente o contrário. Um dos muitos estudos que atestam esse fato foi realizado na Universidade do Norte da Flórida, nos Estados Unidos, com crianças de pré-escola. A pesquisa mostrou que aquelas que foram escolarizadas antes dos sete anos de idade tiveram mais dificuldade de aprendizado quando estavam no ensino fundamental do que outras crianças que tiveram mais liberdade para brincar e criar na Educação Infantil.

O que a ciência mostra é que o cérebro das crianças na Primeira Infância – fase que começa no pré-natal e se estende até cerca de seis anos de idade – é muito mais apto a realizar atividades de exploração do que atividades acadêmicas. Segundo David Whitebread, psicólogo da Universidade Cambridge, no Reino Unido, apesar de a brincadeira infantil ser vista por muitos educadores como um comportamento imaturo, ela é essencial para o desenvolvimento intelectual do ser humano. “As crianças precisam aprender a perseverar, a controlar sua atenção e emoções. Elas aprendem tudo isso através do brincar”, disse em entrevista recente ao jornal americano The New York Times.

A criança precisa aprender muito e desde cedo. Mas isso não significa que deva aprender num contexto igual ao contexto escolar. Muito ao contrário. O contexto da escola formal pressupõe algo que as crianças ainda não possuem – o desenvolvimento de habilidades de auto-controle, habilidades interpessoais, capacidade de atenção continuada e especialmente a capacidade de abstração – necessária para absorver os conteúdos típicos de um programa de alfabetização ou para aprender operações matemáticas.

Fonte: Aliança pela Infância

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