Experiências, Gente que compartilha

Amiga, fica aqui pertinho

Não. Eu não fui viajar, apesar de tão distante da minha rotina e antiga vida.

Não estou doente, apesar da necessidade de algum cuidado e às vezes dúvida da minha sanidade diante desse mundo novo.

Eu entendo o quanto deve ser desconfortável conversar com uma amiga que agora é mãe e só sabe falar sobre isso. Sei como deve ser constrangedor vir visitar-me e do nada a louca tirar o peito na frente de todo mundo para amamentar. Coisa de louca mesmo, né? Eu mesma achava esquisito antes. Agora nem lugar para sentar aqui em casa tem. São brinquedos, cobertas e fraldas espalhadas por todo canto. Te convido para entrar com um certo frio na barriga, porque não tenho nem uma cerveja gelada para te oferecer. Tem leite com chocolate. Você quer?

Aquele filme novo no cinema? O que passou ontem no Jornal Nacional? As tendências de moda… Só se for gestante ou nem isso. Eu simplesmente sumi do mapa mundial. Agora não sou eu mais, sou a mãe de alguém. Meu nome não é mais meu. Sou a mãe, a mãezinha, a mamãe e com muito orgulho, viu?

Não é maldade não. É que… Sabe aquela amiga que estava aqui? Sumiu. Nem proposital é. Mas quando nos tornamos mães algo novo emerge. Algo que nem sempre tivemos guardado, uma nova mulher mais forte nas decisões tomadas e rumo a seguir e mais mole diante de qualquer sorriso banguela dessa coisinha que foi o motivo de toda mudança. Uma mulher mais firme em nossas convicções e mais flexível, caso precise reavaliar o rumo e as possibilidades que essa nova vida te apresenta.

Esta mulher que parecia hibernar aqui dentro, de repente acorda e toma o lugar. Acredite, essa sua amiga aqui é muito melhor que antes. Sou uma versão repaginada, atualizada e totalmente original.  Eu continuo aquela garota divertida e cheia de histórias para contar. Só estou cansada. Não me venha com aquele olhar desconfiado, viu? Não estou arrependida. Só estou cansada. Passe três dias na minha vida e você também estaria exausta assim.

Eu não preciso de pitacos. Minha sogra, minha família e estranhos na rua já fazem e muito bem este trabalho. Não preciso de ajuda prática, até mesmo porque eu sei e gosto de cuidar dos meus filhos. Não abro mão do meu jeito de maternar. Não espero muito de você. Só espero que continue aí. Exatamente aí. Me ouvindo, me fazendo sorrir, tratando a mim, aos meus filhos e minhas escolhas com respeito e carinho, da mesma forma que faria se fosse contigo. Espero que me traga notícias do mundo aí de fora, que traga oxigênio e leveza para o dia a dia conturbado.

Se neste vendaval da maternidade você se agarrar a um galho e insistir em continuar comigo, saiba que essa amiga-mãe é a melhor versão de si mesma e estará disposta a retribuir todo carinho quando a vez de embarcar nesta aventura for sua.

Continue aí, viu? Conto contigo. E um dia você poderá também contar comigo.

Sobre o Autor:

Sheila Mendonça

Sheila Mendonça é Relações Públicas e empreendedora. Inquieta, curiosa e amante por literatura, sempre viu nas crônicas de Mario Prata uma inspiração para transformar o cotidiano em textos bonitos e interessantes, que trouxessem leveza à vida com um toque de humor. Pensando nisso, criou o “Uai, mãe!?“, para dividir a rotina com os três filhos, contando suas dúvidas e receios, compartilhando com outras mamães sua experiência de forma leve e descontraída. Do site: Blog Uai, Mãe? Do site: Uai! Mãe?



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