Gente que esclarece, Gestação, Parto e Amamentação

Amamentação prolongada: por que ainda existe preconceito?

Por Lorena Oliveira

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e, depois deste período, com a introdução de outros alimentos, até 2 anos ou mais, sem determinar limite.

O tempo médio de amamentação no Brasil é de menos de 1 ano, segundo dados do Ministério da Saúde, ou seja, mães amamentam por aproximadamente 342 dias. Entretanto, o índice de aleitamento materno exclusivo de crianças com menos de quatro meses é de 52%. Na outra vertente, aumenta o movimento pela amamentação prolongada, que constitui o evento de dar de mamar por mais de 2 anos.

O fato é que esta prática ainda gera muita polêmica, existindo opiniões distintas: de um lado, os defensores da amamentação assinalam benefícios nutricionais e psicológicos, pois desta maneira a criança se sentiria mais segura, de outro, muitos pediatras e psicanalistas afirmam ser um apego exagerado da mãe e exclusão do pai numa fase em que a criança deveria ganhar independência. Sendo assim, as mães que optam por amamentar uma criança maior, se sentem discriminadas.

Quando as mães decidem por realizarem a amamentação prolongada, estão convictas de que estão fazendo o melhor para os seus filhos, contudo necessitam suportar a crítica de mães que não aceitam ver crianças grandes mamando. Infelizmente, na nossa sociedade, o natural não é considerado normal, e as pessoas se acham no direito de magoar outras mulheres que ponderaram a possibilidade de prolongar o vínculo afetivo entre mãe e filho através da amamentação.

A amamentação prolongada é vista como algo estranho no Brasil, e as pessoas não se sentem confortáveis em apenas observar uma decisão que foi tomada pensando nos benefícios que o aleitamento materno traz para a saúde da criança, mas precisam expressar de maneira agressiva os seus pensamentos, a sua própria persuasão, e isso não deveria existir. Claro, que nós temos opiniões diferentes, pensamos diferentes e temos atitudes distintas uns dos outros. Porém, isso não permite que as pessoas que não concordam com algumas escolhas e decisões, agridam verbalmente uma mãe que opta pela amamentação prolongada.

Continuar amamentando o bebê depois do sexto mês garante apoio nutricional e fortalece a conexão entre mãe e filho. A amamentação prolongada só pode ser danosa se for estendida por muito tempo, no momento em que a criança deixa de consumir nutrientes imprescindíveis, intervindo, assim, no desenvolvimento infantil saudável.

A polêmica da amamentação prolongada faz parte do cotidiano dos atendimentos de muitos profissionais, e aqueles que realmente conhecem as grandes benfeitorias que o aleitamento materno proporciona a criança, sabem que a sociedade industrializada pode até equilibrar alguns benefícios imunológicos da amamentação por meio de vacinas, antibióticos e progressos sanitários e higiênicos. Entretanto, as precisões físicas, cognitivas e emocionais das crianças persistem.

É importante ressaltar que a ideia de que o bebê irá se retardar em seu desenvolvimento e que se tornará totalmente dependente, além de causadora de culpa, é falsa. Os bebês que recebem o aleitamento materno no segundo ano de vida, com a introdução correta e aceitável dos alimentos complementares, são mais maduros e independentes que os demais.

Sobre o Autor:

Lorena Oliveira

ÉEnfermeira graduada pela Universidade Federal de Uberlândia, blogueira, apaixonada por obstetrícia e aleitamento materno mas, o melhor de tudo: louca pra viver a maternidade! Escreve no blogdalo.com.br Do site: Blog da Lô



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