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Aedes aegypti coloca gestantes em alerta durante o verão

O verão trouxe novamente a preocupação com a proliferação do Aedes aegypti. Por conta das altas temperaturas e umidade, o mosquito tende a se multiplicar ainda mais este ano e, com ele, cresce o medo da transmissão de Zika, Chicungunha e febre amarela, especialmente por parte das grávidas.

Dr. Renato Sá, chefe do setor de obstetrícia e medicina fetal e coordenador do Centro de Cirurgia Fetal e Neonatal (CCFN) da Perinatal, explica que no caso da Zika, além do risco de microcefalia, o maior receio dos especialistas é a Síndrome da Zika congênita, pois a infecção na gestante causa outras alterações cerebrais posteriores. “Mesmo meses após o nascimento, podem se manifestar diversas lesões neurológicas, como calcificações no cérebro, convulsões e até problemas em outros órgãos”, explica o médico.

A maior característica da doença é a vermelhidão no corpo. Mas o mais perigoso é o fato de que 80% dos casos são assintomáticos. Ou seja, a mãe pode não saber que está infectada ou o marido não apresentar sintomas e a infectar por transmissão sexual.

“Ainda não temos conhecimento das sequelas para a mãe. É uma doença nova e sabemos ainda pouco a respeito de problemas no longo prazo. As viroses tendem a ser auto-imitadas, geralmente não deixam sequelas depois de terminada a fase aguda da doença, há menos que haja alguma complicação”, pontua Dr. Sá.

A mesma orientação serve para se evitar as demais doenças causadas pelo mosquito. Além de eliminar os focos, as gestantes devem passar repelentes e usar camisinha, mesmo que o parceiro não apresente sintomas da doença.

Dengue e febre amarela

Mesmo a já conhecida dengue também pode ser perigosa para gestantes. O que a difere das outras doenças transmitidas pelo mosquito é a dor no corpo e a diminuição na contagem de plaquetas, podendo causar hemorragia.

“Algumas mães tiveram lesões na placenta por conta das reações inflamatórias fortes causadas pelo vírus. Isso causou problemas no feto, como edemas e sequelas no crescimento do bebê”, conta o médico. Segundo ele, mesmo quem já teve a enfermidade, pode voltar a sofrer, pois existem vários sorotipos diferentes de dengue e a doença pode voltar a se manifestar.

Similar à dengue, a febre amarela apresenta o mesmo quadro viral. De acordo com o médico, o recente surto em Minas Gerais não parece causar grande risco se for rapidamente controlado: “É uma doença que preocupa menos, pois precisa da proximidade com o agente contaminante, no caso, o macaco, uma vez que o surto é da febre amarela silvestre. O controle também é melhor e mais fácil por existir uma vacina específica para ela, apesar de optarmos por vacinar apenas pacientes em áreas endêmicas, pois há riscos relacionados à vacinação. No entanto, ainda não se sabe muito sobre suas consequências durante a gravidez, importante ressaltar que algumas pessoas apresentam a forma grave com complicação e lesão de vários órgãos. Este quadro na grávida pode ser muito grave”.

O ano também será de maior preocupação com a chikungunya. Projeções da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro apontam que até metade da população pode ser infectada pela doença. “A comunidade médica ainda conhece pouco sobre a doença, mas uma das preocupações é a insuficiência respiratória em mulheres grávidas, uma complicação desta virose. O que difere a Chikungunya dos outros vírus é a dor nas articulações, que pode perdurar até seis meses após o surto”, explica Dr. Sá.

Surto de sífilis também preocupa

Outra situação que está gerando preocupação nas consultas de pré-natal é o retorno da sífilis, doença antiga que volta a causar surto. “É outro caso grave que deixa sequelas para ambos. Dependendo da gravidade, pode causar problemas neurológicos na mãe. Já no bebê, vários órgãos podem ser acometidos, em especial o sistema nervoso”, explica Dr. Renato, que ressalta a importância da detecção precoce.

“Se diagnosticada com antecedência, pode ser tratada com penicilina. E a prevenção é a mesma das outras DSTs: evitar a relação desprotegida, usando sempre preservativos. Mesmo as grávidas precisam se lembrar do preservativo como uma forma de proteção para DST”.

 Onde procurar ajuda

São várias as doenças que podem ser transmitidas pela picada do Aedes aegypti  e, algumas delas, ainda não circulando em nosso país. O melhor caminho é a prevenção. Para isso, a Perinatal criou um Centro de Centro de Infecção Congênita, para tratar e acompanhar as alterações no feto e na gravidez, com o objetivo de evitar sequelas para o bebê em casos de suspeita ou confirmação de infecção congênita.

O Centro de Infecção Congênita também trata outras patologias graves para gestantes, como citomegalovírus e toxoplasmose, ambas doenças com poucos sintomas para mulheres que não estão grávidas, mas que podem causar sequelas graves no feto.

“A paciente é encaminhada pelo médico para que possamos fazer o diagnóstico – em algumas, colhemos líquido amniótico para análise – e, quando possível, prescrevemos o tratamento adequado”, informa Dr. Renato.

A gestante que perceber os sintomas de Zika ou qualquer outra doença pode também agendar uma consulta diretamente com a equipe, através do número (21) 2102-2300, opção 1.

SERVIÇO

Centro de Infecção Congênita

Perinatal – Rua das Laranjeiras – 455, Laranjeiras

Tel: 2102-2300 – opção 1.

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