Experiências, Gente que compartilha

A mulher-pilar

Mais um texto muito interessante da nossa colunista Sheila Mendonça! Vale muito a leitura!

Quando embarcamos nessa viagem que é a maternidade, constituir família, como dizem, não há uma única alma que nos avise dos perigos e desafios. Bom, creio ser a primeira ou uma das…

Metaforicamente falando, sinto como se vivêssemos em uma ilha rodeada de preocupações, de culpa e obrigações. É claro, há os maridos, sogras e nossas mães que nos ajudam, porém recai sobre nossos ombros as decisões importantes e consequentemente, o julgamento de todos sobre essas decisões que tomamos, às vezes, pressionadas por não poder errar em nada! Há sempre algo a ser criticado.

Nos casamos sonhando em formar uma bela família com filhos lindos e saudáveis, as manhãs que parecem propaganda de margarina ou de plano de saúde. Nos esquecemos que para tudo isso dar certo, há o preço a ser pago. Somos nós os pilares que mantém esse lar tão perfeito em pé. E eu me pergunto, quem nos mantém em pé? Quem nos ajuda a ter força total para carregar a família nas costas? Por que sobre os nossos ombros tem que recair essa grande responsabilidade? Não teríamos o direito de errar? Acordar de mal humor? Ou simplesmente não querer essa obrigação?

Há também aquelas vezes em que fazemos tudo certo, mantemos um belo sorriso nos lábios enquanto nossas pernas envergam com o peso de sermos sempre perfeitas. Mesmo com todo o sacrifício, todo esforço empregado, às vezes, o lar perfeito desmorona. Só restando um único pilar em pé: nós mesmas! Afinal, não podemos nos dar o luxo de cair, sofrer como todos sofrem. Somos mães e a nossa prioridade será sempre essa. Há ainda uma família, os filhos, para cuidarmos. Se o pai quer pular fora, “direito dele”. A sociedade em nenhum momento irá julgá-lo ou pedir que faça diferente. Se fizer, será um herói, não o seu verdadeiro papel de pai. A culpa, obviamente, é nossa que não sabemos segurar marido, que não cumprimos com nossos deveres de esposa de fazer tudo certinho, enquanto eles, fazem o que querem e são absolvidos de tudo. Quantas vezes já ouvimos essa história? E pior… Quantas vezes nós mesmas já julgamos assim a outra mulher-mãe?

Li recentemente um texto dizendo que as mulheres não amadurecem mais rápidos que os homens. Somos obrigadas desde cedo a assumir responsabilidades e “cargos” (de babá, cozinheira, dona de casa e etc.) que ainda não estamos preparadas, mas temos que estar. E é exatamente isso que acontece. Desde cedo cuidamos de nossos irmãos mais novos, mantemos a casa em ordem, substituímos a “mãe” quando esta não está presente, às vezes, com 13/14 anos, quando, na verdade, somos crianças e ainda precisamos de cuidados.

Haverá um dia em que poderemos escolher?

Escolher não se casar, mesmo a família pressionando?

Escolher não ter filhos, mesmo com os questionamentos de todos?

Escolher sermos humanas, mesmo quando esperam a perfeição, principalmente na maternidade?

Sou mãe de dois meninos de 6 e 4 anos e uma menina de 2 anos. Em uma conversa com minha avó, criada em outro tempo, ouvi a seguinte frase:

– Logo a Luiza cresce para poder te ajudar!

Tudo isso porque reclamei de estar cansada. Bom, mesmo sendo irmã de dois irmãos mais velhos, minha filha teria que assumir a responsabilidade de ser “eu” na minha ausência ou para diminuir meu “fardo”. Só por ser mulher? Ter dado o “azar” de nascer mulher? Não! Não mesmo!

– Uai, Vó… Quer dizer que tenho que esperar a Luiza crescer? E os meninos, por acaso não tem braços para ajudar? E se eu tivesse tido três meninos? Estaria perdida? Seria escrava deles para sempre? – Indaguei.

Mas ela terá escolha! A escolha que eu não tive, de nem sempre ter que ser forte e ter respostas para tudo. Ela terá o privilégio da dúvida, de poder fazer perguntas e não apenas seguir um esquema já imposto por todos. Aos meninos, que cresçam sabendo que terão as mesmas responsabilidades e deveres que ela. Ninguém será privilegiado por ter nascido “assim ou assado”. Somos uma família e esse lar terá que ser sustentado não por um pilar apenas, mas por todos!

De uma coisa eu tenho certeza: recai sobre os nossos ombros a responsabilidade de criar homens mais sensíveis, mais solícitos. Nossos filhos nos amam, nos respeitam e nos admiram. Está na hora de estender toda essa admiração e respeito às outras mulheres. Que nossos filhos comecem a enxergar o mundo de uma maneira diferente. Não! Não creio que somos todos iguais. Gosto de ser tratada como mulher, com gentileza, flores, cortesia. Mas que reconheçam a humanidade em cada mulher, que nem sempre estamos dispostas a sermos perfeitas e delicadas. Há aqueles dias de cão, fazer o quê? Que saibam respeitar suas irmãs, amigas, professoras, esposas, como respeitam suas mães. E daqui a 20 anos, quem sabe, teremos orgulho dos homens que criamos!? Homens de verdade, sabe? Não como os que temos visto por aí… Orgulho de termos começado essa mudança.

Bora começar, porque é para já!!!

“Sheila Trindade é Relações Públicas e empreendedora. Inquieta, curiosa e amante por literatura, sempre viu nas crônicas de Mario Prata, uma inspiração para transformar o cotidiano em texto bonitos e interessantes, que trouxessem leveza à vida com um toque de humor. E foi exatamente pensando nisso que decidiu criar o “Uai, mãe!?”, para dividir sua rotina com os três filhos, Samuel de 6, Bernardo de 3 e Luiza de 1 ano e meio, contando suas dúvidas e receios, compartilhando com outras mamães sua experiência de forma leve e descontraída, mostrando a rotina de uma típica família mineira. Ela quer provar que maternidade pode ser uma experiência gostosa e prazerosa. Acredita que uma mãe feliz, divertida, realizada e segura de si mesma, ensina aos filhos e ao mundo que mulher é sim, multitarefas e por isso, consegue conciliar tudo que a realiza. Portanto, nada mais normal que criar os filhos e ser feliz ao mesmo tempo! Página no Facebook: https://www.facebook.com/bloguaimae Blog: http://uaimae.blogspot.com.br/

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