Experiências, Gente que compartilha

A mãe moleca

Mais um texto muito interessante da nossa colunista Sheila Mendonça do Uai Mãe! Blog

Ela nasceu rodeada de gente, casa cheia, bagunça certa. Aprendeu a dividir desde cedo, tudo que era seu, era de todos e o que era de todos era seu também. Cresceu dando mais valor ao sol, à brincadeira na rua, ao banho de chuva no verão, aos amigos e primos sempre por perto do que aos brinquedos caros, que inclusive, nunca pediu para ter. Corre-corre, pique-cola, amarelinha, pula-elástico, rouba-bandeira, pique-esconde, gato-mia. Nada de videogames, nem celulares ou tablets, internet ou TV a cabo. A diversão estava em ser livre, andar de bicicleta pelo bairro com os amigos, brincar até tarde na rua, os vizinhos sentados na calçada assistindo a brincadeira e colocando a conversa em dia. Não havia perigo nas ruas, não havia preocupação nenhuma.

E foi assim que ela cresceu, teve a infância que toda criança merecia ter. Com o passar dos anos, ainda guardava no peito a mesma menina moleca de sempre. Na escola as meninas queriam subir no salto, maquiadas desde as 7 da manhã, calças justas, blusinhas curtas e decotadas. Ela ainda queria brincar, guardava as bonecas para brincar no quarto, jogava bola aos finais de semana com os primos, os únicos que entendiam esse seu lado moleca, de ainda querer brincar, retardar o passar do tempo. Esse “troço” de crescer, se tornar adulta não era bacana, não era o que ela queria. Crescer doía, e muito. Por isso, não se enquadrava aos padrões dos amigos na escola. Tudo certo. Ela nem se esforçava para isso. Sabia que o tempo de escola passaria rápido e se preocupar com as rixas era perda de tempo.

Sabia que com o tempo viria as responsabilidades, que não poderia mais brincar na rua, ser a moleca sujinha de terra que passava as férias na casa da Avó no interior. Jogar bola no campinho de terra com os primos e a Avó de goleira. Péssima goleira, diga-se de passagem, mas excelente avó, daquelas que fazem comida gostosa, nos tira para dançar forró e empresta a máquina de costura para fazer vestido de boneca, sem contar, é claro, os bolinhos de chuva que alegravam as tardes, acompanhado de café com leite. Ô infância boa!! E ainda queriam convencê-la que crescer é melhor, que subir no salto e passar maquiagem era mais legal do que brincar de gato-mia com os primos, que ficar com os garotos era melhor que brincar de guerra de ursinhos de pelúcia na hora de dormir ou melhor que comer brigadeiro de panela vendo desenho animado.

Ela cresceu. Teve que crescer. A vida nos exige isso, fazer o quê? Pensou que nunca mais poderia ser moleca, que nunca mais brincaria, até se tornar mãe. Desde que deixou de ser ela mesma e se tornou mãe, pôde exercitar sua molecagem. Agora, seus filhos são aprendizes e ela, mestre na arte de brincar. De tanto que brincou, se sujou, se divertiu e gargalhou, tornou-se expert e agora, seu maior desejo é passar aos filhos o mesmo sentimento que tinha ao andar de bicicleta sentindo o vento no rosto, a adrenalina de não ser encontrada no pique-esconde, a rapidez e estratégia para brincar de rouba-bandeira. Porém de tudo isso, o que ela mais quer que os filhos aprendam e tenham orgulho é de serem moleques, sem se preocupar em crescer, já que a vida nos faz essa maldade independe de qualquer coisa, é natural. Já que terão que crescer, que aproveitem ao máximo possível, como ela mesmo fez, enquanto ainda podem brincar. E mesmo quando crescerem, que nunca se esqueçam dos molequinhos que cada um guarda dentro de si.

E ainda hoje, brinca do mesmo jeitinho que fazia, como justificativa de ensinar aos filhos, as brincadeiras ainda arrancam as melhores gargalhadas do dia. Agora não é mais menina-moleca, é mãe-moleca, e tem orgulho disso. Como não ter? É no coração de menina moleca que estão os melhores e mais puros sentimentos e neste mesmo coração, rodeados por tanta coisa boa, leve e divertida, estão seus filhos que já vivem sujinhos por aí, brincando na terra, aproveitando cada segundo da infância como aprenderam a fazer, como toda criança deveria. As que não fazem desse jeito, ainda lamentarão o tempo que perderam querendo crescer, forçando a chegada da vida adulta. A vida não volta! Tudo que deixamos para trás, fica por lá mesmo! E é brincando que toda criança deveria viver. As melhores lembranças estão na infância por que lá, não nos preocupamos em agradar ninguém, nos que vão pensar ou se gostarão mais da gente. Só queremos ser felizes. E não é assim que deveria ser? Sempre?

“Sheila Trindade é Relações Públicas e empreendedora. Inquieta, curiosa e amante por literatura, sempre viu nas crônicas de Mario Prata, uma inspiração para transformar o cotidiano em texto bonitos e interessantes, que trouxessem leveza à vida com um toque de humor. E foi exatamente pensando nisso que decidiu criar o “Uai, mãe!?”, para dividir sua rotina com os três filhos, Samuel de 6, Bernardo de 3 e Luiza de 1 ano e meio, contando suas dúvidas e receios, compartilhando com outras mamães sua experiência de forma leve e descontraída, mostrando a rotina de uma típica família mineira. Ela quer provar que maternidade pode ser uma experiência gostosa e prazerosa. Acredita que uma mãe feliz, divertida, realizada e segura de si mesma, ensina aos filhos e ao mundo que mulher é sim, multitarefas e por isso, consegue conciliar tudo que a realiza. Portanto, nada mais normal que criar os filhos e ser feliz ao mesmo tempo! Página no Facebook: https://www.facebook.com/bloguaimae Blog: http://uaimae.blogspot.com.br/

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